VENDA DA SOMOS EDUCAÇÃO TRAZ ALÍVIO À GESTORA TARPON

A transação de venda da Somos Educação para a Kroton é um alívio para a gestora Tarpon, sob pressão com o investimento feito na empresa de alimentos BRF. Um alívio não só financeiro, mas reputacional - a rentabilidade da venda agrada aos investidores e reforça a capacidade de a gestora fazer negócio, há dois anos em xeque.

Na segunda-feira, a Tarpon fechou a venda de sua participação na Somos por R$ 4,57 bilhões. Somada à fatia do fundo soberano de Cingapura GIC e a dos minoritários, a aquisição totalizou R$ 6,23 bilhões. Segundo duas fontes, a Tarpon vai receber cerca de R$ 145 milhões de taxa de performance no fundo dedicado à Somos, que detém 54% da empresa de educação. Os outros 20% detidos pela Tarpon na companhia estão em fundos de ações ou no fundo principal da casa, que têm outros ativos - por isso não há incidência dessa taxa de performance, já que o desempenho depende do restante da carteira.
Para ter um parâmetro da relevância desse montante, o lucro líquido da Tarpon no ano passado foi de R$ 9,4 milhões.

O pagamento não é imediato, já que a venda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o que pode acontecer até outubro. Além disso, na negociação, a Tarpon não recebe a totalidade do pagamento - dos R$ 4,57 bilhões, vai receber à vista no fechamento do negócio R$ 4,1 bilhões e os R$ 470 milhões restantes ficarão em conta vinculada, como garantia de obrigações acordadas entre vendedor e comprador.

O Valor apurou que a Tarpon também negociou com a Kroton que haverá um pagamento de novas ações emitidas para os administradores da Somos - são cerca de R$ 100 milhões, que serão pagos aos executivos, incluindo sócios da Tarpon com função na empresa. "É comum esse tipo de antecipação de um plano de ações em casos de troca de controle", diz uma fonte.

As ações da Tarpon dispararam 28% na B3, na segunda-feira, e chegaram a entrar em leilão por duas vezes - mas voltaram a cair ontem. Desde o IPO da Tarpon, em 2007, a ação chegou ao pico de R$ 19,49 e ontem era cotada a R$ 3,10.

Para investidores e gestores ouvidos pelo Valor, falta uma visão clara do que a Tarpon vai ser daqui para frente. Com a venda da Somos, a gestora fica com duas posições relevantes: na empresa de energia Ômega, que abriu capital no ano passado e tem valor de mercado de R$ 2 bilhões, e a sua participação na BRF, que vem sendo reduzida aos poucos.

A Tarpon chegou a ter 11% na BRF e hoje tem menos de 7%. Nesta semana, deve perder assento no conselho da empresa. A Tarpon comprou ações da BRF há sete anos, por cerca de R$ 20. A gestora adotou uma postura ativista e as ações chegaram a mais de R$ 70 quando um dos sócios da Tarpon, Pedro Faria, assumiu a presidência da empresa. Dali, foi ladeira abaixo. A empresa começou a acumular prejuízos, as ações derreteram, Faria deixou a BRF, e os acionistas começaram a brigar entre si. Ontem, a ação fechou a R$ 25,85.

"O investidor do fundo principal de private equity e o investidor que entrou no IPO da empresa não estão satisfeitos", diz um gestor de patrimônio. Dois executivos ponderam que, quem investiu com a Tarpon, como o GIC, não vai compensar com os ganhos que terá com a Somos o que perdeu em BRF, empresa de maior porte. "Mas o fundo de ações vai bem", complementa outro gestor. Ele se refere ao Tarpon GT, que em 12 meses rendeu 41%, ante 34% do Ibovespa.

Internamente, executivos da Tarpon admitem que falta uma visão mais articulada de futuro, até pela velocidade com que ocorreu a venda da Somos.
Gestores e investidores avaliam que a companhia tem capacidade para levantar novos fundos. "Desde que não seja um private equity com alta concentração do fundo e em que assumem a operação ou um follow-on da própria Tarpon, eles não perderam a capacidade de análise de boas oportunidades, que é um dos diferenciais da casa", afirma outro gestor.
"Claro que a venda da Somos com um prêmio relevante ajuda." Procurada, a Tarpon não deu entrevista.

Fonte: Valor Econômico

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