VICTORIA BUSCA US$550 MILHÕES ESTRATÉGIA NO BRASIL

A gestora de fundos de participação Victoria Capital Partners tem se reunido com investidores para levantar seu terceiro fundo. A empresa pretende captar US$ 550 milhões, encarando um cenário competitivo. Ao menos sete fundos de private equity estão em fase de captação somente de gestoras brasileiras, disputando o bolso dos investidores nacionais e estrangeiros, que têm dedicado um volume considerável de recursos a fundos gigantescos de gestoras americanas.

Mas a Victoria já tem um fundo transitório em operação, que começou a montar o novo portfólio com recursos da ordem de US$ 100 milhões.

Os primeiros investimentos da rodada foram na aquisição de 85% da Import Sports, distribuidora de marcas de nutrição esportiva, e da Evers Nutracêutica, indústria de suplementação alimentar. As transações ultrapassam US$ 40 milhões, segundo o Valor apurou. Saúde é um dos setores de maior interesse da gestora no país.

A Victoria pretende investir cerca de 40% do volume do novo fundo no Brasil e o restante em outros países da América do Sul (Argentina, Chile, Colômbia e Peru). Há uma mudança de estratégia para o mercado brasileiro, no entanto. A companhia fazia investimentos maiores nos países vizinhos, utilizando parte dos recursos do fundo e chamando coinvestimentos. Foi assim, por exemplo, no investimento da ordem de US$ 200 milhões na Arcos Dorados, dona da rede McDonald's na América Latina e sediada na Argentina, no investimento de US$ 375 milhões na editora Santillana e na colombiana Corona Industrial, de materiais de construção, com aporte de US$ 200 milhões.

No Brasil, a média de investimento era entre US$ 30 milhões e US$ 80 milhões, e esse teto sobe para cerca de US$ 300 milhões com a proposta de coinvestimentos. "Isso altera a nossa forma de atuação no Brasil, muda o tipo de portfólio que a gente busca", afirma Alexandre Dias, sócio da Victoria.

O ajuste acontece depois de uma cisão na equipe da Victoria. No ano passado, parte da equipe, incluindo um dos sócios fundadores, Mario Spinola, saiu da empresa para montar outra gestora concorrente no Brasil, a Principia Capital Partners - que também está em fase de captação. A mudança chegou a levantar rumores de que a Victoria deixaria o mercado brasileiro, uma vez que a Principia assumiu a parte operacional do portfólio que já tinham no Brasil.

O processo de captação tem sido reforçado com investidores institucionais na Colômbia, Peru e Chile, segundo o Valor apurou. Esses investidores devem ter uma participação maior no terceiro fundo do que tiveram nos veículos anteriores, quando americanos e europeus ficaram com fatia relevante. Fundos de pensão brasileiros têm reduzido investimentos em private equity de forma geral, contribuindo pouco para essa indústria regional. O cenário de volatilidade política na região também aumenta a complexidade na fase de captação no exterior.

Para os executivos, pode ser uma oportunidade. "Este ano é muito particular do ponto de vista político, por ter eleições nos três países com maior população da América Latina: México, Brasil e Colômbia", diz Garcia. "Traz um impacto geral no ambiente de investimento, mas também cria oportunidade para private equity, que costuma ser uma atividade 'contrarian' [que se comporta na contramão do mercado]", afirma.

A gestora foi criada em 2006, como DLJ South America, então associada aos bancos Credit Suisse e DLJ. Em 2011, os sócios executivos fizeram uma cisão da casa e mudaram o nome para Victoria. O segundo fundo foi captado em 2012, de US$ 400 milhões em investimentos na América do Sul. Entre investimentos dos dois fundos e coinvestimentos, foram US$ 1,2 bilhão desde a fundação até o ano passado.

Do segundo fundo, ao menos duas companhias estão em fase de desinvestimento. Este ano, a Victoria fez uma venda parcial da Satus Ager, empresa argentina de sementes, e vendeu o controle da Oncoclínicas para o americano Goldman Sachs (o braço de investimento do banco já havia comprado uma participação minoritária em 2015).

Fonte: Valor Econômico

 

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