APLICADOR BUSCA RETORNO EM FUNDOS ALTERNATIVOS

A captação recorde dos fundos de renda fixa neste ano tem ofuscado um movimento por diversificação que ocorre lateralmente. Sob o mote da queda de juros, um grupo de aplicadores tem se antecipado à Selic menor - que caiu a 9,25% ao ano ontem e pode estar na casa dos 8% na virada para 2018 - e ampliado a alocação em investimentos alternativos de maior risco e retorno potencial, como fundos imobiliários e multimercados. Neste último grupo, as carteiras que compram ativos no exterior também têm despertado a atenção dos aplicadores.

Os fundos multimercados atraíram, no primeiro semestre, R$ 39,042 bilhões, segundo dados da Anbima, associação que representa o mercado de capitais e de investimentos. Em junho, após a delação do grupo JBS colocar em xeque a continuidade do presidente Michel Temer no Planalto, essas carteiras perderam ímpeto, atraindo apenas R$ 430 milhões, dando lugar àqueles portfólios que selecionam aplicações fora do Brasil. Já os fundos globais captaram R$ 700 milhões no mês passado, amplificando a conta do ano para cerca de R$ 2 bilhões, com um aumento de 6.697 cotistas, segundo levantamento do J.P. Morgan para o Valor.

"Os multimercados globais têm apresentado uma demanda violenta nas últimas semanas, o cliente aprendeu que precisa descorrelacionar [investir em ativos que não andem na mesma direção em resposta a determinado evento]", diz Giuliano de Marchi, responsável pela área comercial do J.P. Morgan no Brasil. O apelo tem sido, contudo, naqueles portfólios que fazem "hedge" e anulam a variação cambial. A baliza segue sendo o Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI, o juro interbancário, referência das aplicações de renda fixa e multimercados).

Para o executivo, o grande empurrão veio justamente da divulgação da gravação de conversa entre o presidente Temer e o empresário Joesley Batista, do grupo JBS, na noite de 17 de maio. O dia seguinte foi de estragos no chamado "kit Brasil". Houve perdas severas em ações e renda fixa e até a interrupção das negociações nas bolsas de ações e de futuros, enquanto os gestores tentavam diminuir suas exposições para reenquadrar o risco de suas carteiras mistas.

Desde então, os multimercados se recuperaram e na primeira quinzena de julho levantaram R$ 2,219 bilhões, com o acumulado do ano em R$ 43,579 bilhões. Nada que se compare à captação recorde de quase R$ 90 bilhões nas carteiras de renda fixa neste ano, até o dia 14, mas é muito dinheiro em fundo misto, considerando-se que em 2016 houve resgates de R$ 700 milhões na categoria.

A boa performance dos multimercados, apesar do tropeço de meados de maio, e a coincidência da oferta de gestores de destaque no primeiro semestre possibilitaram um ritmo de captação impressionante à categoria, segundo Gustavo Pires, sócio da XP Investimentos responsável pela plataforma de fundos.

Conforme ele exemplifica, a Adam Capital, de Marcio Appel, e a Verde Asset, de Luis Stuhlberger, abriram novos fundos. A Garde, de ex-executivos do BNP Paribas, reabriu o multimercado macro D'Artagnan por uma janela de duas semanas, e a GAP voltou a receber recursos para o seu multimercado long/short, que tem ênfase em ativos de crédito. Além disso, a Truxt, a nova gestora de José Alberto Tovar, colocou seus fundos na rua, após sair da ARX, onde as carteiras com assinatura da sua equipe estavam fechadas para novos aportes.

"Não me lembro, em sete anos, de uma janela com tanto produto de resultado destacado na plataforma. Isso tem provocado o interesse dos clientes e um maior dinamismo", diz. Nessa toada, a divisão de fundos da XP, que levou 50 meses para atingir o patrimônio de R$ 10 bilhões alcançado no fim do ano passado, fechou junho com R$ 24 bilhões, assinala o executivo.

Entre os destaques, o Verde AM Scena, com distribuição exclusiva da XP desde abril, levantou R$ 1,04 bilhão, segundo dados da Morningstar. O fundo master Adam Macro Strategy, que acolhe aplicações de fundos de cotas de bancos e distribuidores independentes, já reúne R$ 573,7 milhões desde o fim de junho, enquanto as quatro estratégias da Truxt disponíveis em bancos e plataformas desde o início do mês passado levantaram mais de R$ 2,1
bilhões.

Mesmo com perdas significativas no dia seguinte ao vazamento da gravação de conversa entre Temer e o dono do grupo JBS, em 18 de maio, os multimercados exibem, na sua maioria, retorno acima do CDI no ano.
Segundo dados da Anbima, até 14 de julho, as carteiras com estratégia macro ganham 7,09%, ante 6,09% do CDI. Os portfólios classificados como long/short direcional têm rentabilidade de 7,61%, enquanto os livre, de 7,09%.

Entre 2013 a 2015, enquanto os juros brasileiros permaneceram nas alturas, o investimento de maior risco foi mal remunerado e só a partir da convicção de que viria uma mudança de ciclo monetário é que esses portfólios ganharam apelo, pontua Arthur Lencastre, responsável pela consultoria de investimentos da Willis Towers Watson no Brasil, que mapeia os fundos alternativos mundo afora.

Para o executivo, com o alívio monetário em pleno curso, a diversificação mais óbvia no Brasil é ainda nos multimercados. Depois, o investidor dá um passo adiante rumo a fundos imobiliários e de participações. "Os multimercados, em geral, operam com fatores de risco mais conhecidos do público, com renda variável, moedas e juros. Fica mais fácil empacotar e oferecer para a pessoa física como alternativa de maior risco à renda fixa e, em geral, de menos risco do que a renda variável." Ele vê na disseminação das plataformas de investimentos independentes como o grande canal de exposição dessas carteiras, principalmente de gestoras não ligadas a bancos. Conforme assinala George Wachsmann, sócio da GPS Investimentos, a pulverização obtida com a distribuição de varejo está trazendo uma base mais estável de captação para as gestoras independentes. Num episódio de estresse como o observado em maio, não houve uma corrida por saques.

Na Órama, que tem R$ 1,7 bilhão sob seu guarda-chuva, 60% da alocação já está em fundos, segundo a consultora financeira Sandra Blanco. Em meados de 2016, a proporção era de 70% em títulos de renda fixa e 30% em fundos, para um total de R$ 800 milhões.

A evolução recente decorreu do acréscimo de novos gestores à plataforma, como Adam, Polo, Truxt, Vista, Flag, Mauá, Ethica ou Vintage. "Os gestores, em geral, têm mostrado que conseguem capturar, entre distorções de preços, bons retornos, desde os mais conservadores, com 110% a 120% do CDI, até os de volatilidade mais alta, com 150% ou acima disso." A grade já conta também com os fundos globais da Pimco, J.P. Morgan, Polo e Exploritas.

Só na XP, o Pimco Income, que acessa uma das principais estratégias de renda fixa global da gigante americana, reúne 4,1 mil investidores, para um patrimônio de R$ 865,8 milhões, após terminar 2016 com R$ 90 milhões.


No total, entre carteiras com e sem proteção cambial, o patrimônio dos fundos globais chegou a R$ 6,12 bilhões ao fim de junho. Os fundos com hedge representavam 36,1% do bolo, ante 11,7% um ano atrás.

Embora estejam na moda, o sócio de uma butique de investimentos independente alerta ser difícil dimensionar que efeitos pode ter, por exemplo, um aumento de juros nos países desenvolvidos nessas carteiras. "Eu prefiro não ter, não trabalhar numa terceira derivada para ter um retorno extra. Há alternativas a isso."

Segundo o especialista, se o juro brasileiro se consolidar em um nível mais baixo por mais tempo, talvez valha o investidor avaliar, de fato, uma exposição em ativos em dólar, sem a muleta do hedge cambial.

Fonte: Valor Econômico

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