FUNDOS QUANTITATIVOS CAPTAM, MAS RENTABILIDADE DECEPCIONA

No fim das contas, descobriu-se que os robôs são humanos. O interesse em investimentos computadorizados de todos os tipos explodiu nos últimos anos. O Barclays estima que os ativos gerenciados pelos chamados fundos hedge quantitativos duplicaram na última década e atingiram um recorde de US$ 500 bilhões no ano passado.

Infelizmente, o desempenho desses fundos atrofiou-se, à medida que foram adquirindo popularidade. Na média, os fundos hedge tiveram uma rentabilidade de 7,7% neste ano, de acordo com a Hedge Fund Research (HFR), ao passo que os fundos quantitativos valorizaram-se apenas 4,9%.

Os fundos "quant" do tipo macro, que investem em diversos mercados, perderam 1,4%. "Houve alguns gritos em uníssono, neste ano", diz Wesley Chan, gerente de um fundo quant na Acadian Asset Management.

Embora não tenha havido grandes desastres, está sendo um período desconfortável para muitos fundos que haviam se beneficiado do interesse de investidores em estratégias com algoritmos.

A indagação é se os fundos quant estão num período amargo, ou se algo fundamental está acontecendo. Neal Berger, diretor de investimentos da Eagle's View Capital, um fundo de fundos, tende para essa última interpretação. Em uma carta aos investidores, ele disse que os "retornos fantásticos" de muitos "quants" atraíram muito dinheiro, minando as oportunidades para todos e transformando estratégias rentáveis em fracassos - um fenômeno conhecido como "crowding" (aglomeração).

"Tendo em vista que todos os gênios [matemáticos] estão envolvidos em [estratégias] 'quant', computadores de alta potência e enormes volumes de dados, onde estão os 'otários' que estão gerando a lucratividade de todas essas estratégias quantitativas de retornos absolutos?", indaga ele.

"Entre as estratégias quantitativas tradicionais, temos robôs negociando contra robôs".

Os "quants" zombam disso. Philippe Jordan, presidente da Capital Fund, diz que oito meses de desempenho é um prazo muito curto para permitir avaliações radicais. "Os números estão completamente dentro da distribuição normal."

Além disso, muitos fundos e estratégias estão indo bem, acrescenta Jordan.
Com efeito, a abordagem quantitativa inclui qualquer investimento em que um computador é usado para identificar padrões, até o extremo de algoritmos complexos aplicados à mineração de oceanos de dados digitais em busca de sinais débeis emitidos pelos mercados financeiros.

"O termo 'quant' é relativamente inútil", diz Anthony Morris, diretor de estratégias quantitativas do Nomura. "É uma descrição desleixada, que, assim como 'hedge fund', significa qualquer coisa".

O desempenho médio da HFR obscurece as divergências entre fundos e estratégias, que oferecem pistas sobre o que funcionou e o que perdeu gás - e por quê.

Algumas potências tradicionais do mundo dos investimentos "quant" continuam produzindo bons resultados. O principal fundo de capital da Renaissance Technologies apresentou alta de 10% no ano até 4 de agosto, e dois de seus outros fundos retornaram 7,6% e 11,3%, de acordo com uma pessoa familiarizada com o assunto.

De acordo com Jordan, estratégias patrimoniais, como "market neutral" [visando lucrar em função tanto de altas como de baixas de preços em mais de um mercado] e "arbitragem estatística", tiveram um período mais difícil.

Muitos dos fundos com desempenho mais insatisfatórios estão entre os chamados seguidores de tendências. Esses fundos, primordialmente, surfam ondas no mercado assumindo posições vendidas quando uma classe de ativos está em queda e comprados quando a tendência é positiva, embora os detalhes variem bastante.

Vários grandes nomes apresentam desempenhos insatisfatórios. Os fundos Alpha e Dimension da AHL valorizaram apenas entre 1% e 2% neste ano; o BlueTrend, um fundo da Systematica, administrado por Leda Braga, perdeu 6,4%; o Winton Futures Fund, com US$ 9,9 bilhões sob gestão de David Harding, não saiu do lugar.

Entre os que foram bem estão o fundo Evolution, da AHL, com alta de 9,6% no ano até o fim de julho e o Alternative Markets Fund, da Systematica, que rendeu 11,4%.

Mas esses fundos aproveitam-se de sinais fortes tendências onde as condições mostram-se menos líquidas, e não nos grandes mercados que são populares entre os seguidores de tendências.


De acordo com um artigo de dois acadêmicos, Jeffrey Pontiff e David McLean, no ano passado, retornos que superam o mercado caem à metade depois que o fator de investimento envolvido torna-se conhecido. Essa perda rápida do valor de um sinal é conhecida como "decaimento alfa".

Os quants, naturalmente, estão cientes disso e vasculham os mercados em busca de novos sinais.

Emma Bewley, responsável por investimentos em fundos na Connection Capital, diz que todas as estratégias sofrem regressões periódicas e ela acredita que as alocações em fundos quant continuem. "Não estou convencida de que a aglomeração seja um problema", diz ela.

Fonte: Valor Econômico

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