GESTORAS DE PATRIMÔNIO CRESCEM COM MAIS GERAÇÃO DE RIQUEZA NO PAÍS

Com a retomada da atividade de fusões e aquisições, ofertas de ações e vendas estratégicas, o Brasil voltou a vivenciar eventos de liquidez, que engordaram o bolo de fortunas sob os cuidados das gestoras de patrimônio.

Segundo mapeamento da Anbima, entidade que representa o mercado de capitais e investimentos, o volume sob o guarda-chuva do segmento cresceu 12,3% no ano passado e atingiu R$ 98,1 bilhões, distribuídos em 5,4 mil grupos familiares, de 3,7 mil no fim de 2016. Os dados foram reportados por 28 casas. No ano anterior, o ritmo tinha sido maior, de 16,9%.

A recuperação econômica que começou a se consolidar no ano passado trouxe de volta eventos de geração de riqueza e um novo dinamismo para o segmento de fortunas, diz Paulo Miguel, sócio da GPS, ligada ao suíço Julius Baer - grupo que anunciou no fim de janeiro a aquisição da gestora de patrimônio Reliance. No ano passado, a GPS fechou com R$ 27 bilhões em ativos sob gestão e com a nova compra os suíços vão acrescentar mais R$ 17 bilhões no país. Mas há crescimento orgânico também.

"O fato de os juros estarem mais baixos faz as pessoas buscarem a gestão profissional, prestar mais atenção nos seus investimentos financeiros que antes podiam estar 100% na renda fixa", diz Miguel.

Com juro básico a 14,25%, o investidor era mais leniente, pois qualquer fundo DI proporcionava um retorno expressivo, segundo Dennis Kac, sócio do multi family-office Brainvest. "Mas na hora que a taxa cai para 6,75%, eventualmente para 6,5%, tem que olhar para outras classes de ativos, ter a cabeça aberta, e é difícil fazer isso se não for profissional." No ano passado, o escritório em São Paulo dobrou o patrimônio sob gestão e hoje administra R$ 1,3 bilhão.

Apesar da redução da taxa básica da economia ter trazido a emergência da diversificação, a participação da renda fixa no total de ativos administrados teve um pequeno decréscimo, de 48,6% em 2016 para 46% no ano passado, reunindo R$ 45,1 bilhões no ano passado, segundo a Anbima. Os multimercados ganharam atratividade, saindo de uma fatia de 24% do conjunto para 28,7% no período, com R$ 28,1 bilhões. A renda variável, por sua vez, perdeu participação, caindo de 17,7% para 16,3%, somando R$ 16 bilhões.

Comparativamente, porém, a diversificação de ativos no topo da pirâmide é naturalmente maior do que se observa nos segmentos de varejo, em que a alocação em ações, por exemplo, não ultrapassa 5% do conjunto.

Conforme destaca Richard Ziliotto, diretor da Anbima, quando se olha para os dados históricos, a alocação em renda variável das famílias mais ricas oscilou numa faixa entre 16% e 24% entre 2013 e 2017. Nesse intervalo, os multimercados tiveram fatia mais relevante em 2013, quando representavam 34% do total.

A busca por modalidades diversas à renda fixa tradicional deve ser ainda mais acentuada em 2018 do que foi no ano passado, nota Ziliotto, também sócio da Taler. O corte da Selic do último trimestre de 2016 para cá foi sentido no bolso do investidor, especialmente aquele com perfil rentista, cita.

"O tanque de risco para gerar um retorno de 120% do CDI, ou CDI mais 2%, tem que ser mais alto do que quando se tinha juros mais elevados, na casa dos 20%, 25%", diz Ziliotto. "Isso já vem sendo feito, os gestores de patrimônio têm que ser muito mais táticos no seu posicionamento, saber corrigir e rebalancear os portfólios de acordo com o perfil do investidor."
Num ano de eleições no Brasil e sob o risco de o mercado internacional contaminar os ativos domésticos isso é ainda mais peculiar, prossegue. Os assessores financeiros precisarão equilibrar a busca de um retorno maior com proteções, adverte.

Miguel, da GPS, ainda vê muito espaço para que aplicações de renda fixa se desloquem para outros riscos como a bolsa. Mas mesmo no nível de juro atual, ele vê bons retornos potenciais com papéis longos, que ainda embutem taxas elevadas, em prefixados ou papéis indexados ao IPCA.

"Com a inflação para baixo, gradualmente o mercado vem testando a hipótese de que os juros reais de equilíbrio possam se revelar menor do que no ano passado, tendo em vista a política fiscal ainda apertada." Ele acrescenta que vem ganhando força a hipótese de que a retomada do ciclo de aperto monetário foi jogada para o segundo semestre de 2019.

Kac, da Brainvest, cita que já vê o investidor mais aberto para o investimento em renda variável ou até classes alternativas, sem correlação com os ativos locais. "Quando o juro estava em 14,25%, ele não queria nem ouvir falar do dinheiro parado por três a seis anos", diz, acrescentando haver estruturas similares a de um "private equity", em que há chamadas de capital e depois distribuição de resultados a partir do quarto ano de investimentos.

A Selic mais baixa também deixou o investidor mais sensível a custos, diz Miguel, da GPS. Ziliotto, da Anbima, acrescenta que os multimercados, que cobram 2% de taxa de administração com 20% de performance, estarão à prova. Vão ter que subir a régua de risco para entregar um retorno que justifique o preço. Muitos já buscam ganho excedente ao CDI nos mercados internacionais, enquanto aqueles que se acomodarem num retorno pouco acima do referencial tendem a perder atratividade.

Fonte: Valor Econômico

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