GESTÃO INDEPENDENTE GANHA ESPAÇO E NOVAS CASAS CHEGAM AO MERCADO

Os cinco maiores bancos perderam quase quatro pontos percentuais de participação de mercado entre junho de 2017 e junho de 2018 no segmento de gestão de recursos e crescem num ritmo mais lento do que as instituições menores. Pelos dados da Morningstar, BB DTVM, Itaú, Bradesco, Caixa e Santander reuniam ao fim do primeiro semestre R$ 2,572 trilhões em ativos, o equivalente a 70,4% do setor, em comparação à fatia de 74,1% de 12 meses atrás. Enquanto o patrimônio dos grandes bancos aumentou 11% nesse intervalo, o dinheiro colocado pelo investidor em gestoras independentes ou bancos de menor porte aumentou 33% e superou a marca do R$ 1 trilhão pela primeira vez.

E a depender de movimentações recentes no setor, essa tendência pode ser amplificada. Somente neste ano, a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) recebeu 41 novos pedidos de adesão ao Código de Fundos, enquanto no ano passado foram 57 no total. Há desde casas novas até gestoras tradicionais que vêm passando por uma espécie de "spin-off", ou seja, dividindo-se em duas - casos da GAP Asset Management, Kondor Invest e Versa, até aqui sob o guarda-chuva da GTI.

Na Modal Asset, Luis Eduardo Portella negocia sair da aba do Modal e ter sua gestora em sociedade com o banco. A instituição não comenta. Fabiano Godói, que recentemente deixou o comando da Safra Asset Management, também vai partir para um projeto solo, mesmo caminho que Marcelo Magalhães, um dos gestores que estava à frente do JGP Explorer, pretende tomar.

No grupo das gestoras com processos recém-concluídos ou à espera do sinal verde da autorregulação, destaque ainda para a Trafalgar, liderada por Paulo Cocharki e outros ex-executivos do UBS e do Itaú. A casa já colocou seu fundo para rodar e se prepara agora para começar a captar via plataformas.

A Persevera, de Guilherme Abbud (ex- Bradesco Asset Management e HSBC), Cesar Dammous (ex- Franklin Templeton) e Fernado Fontoura (ex-HSBC); a Prisma Capital, do ex- BTG Marcelo Hallack e do ex- Gávea Gabriel Affonso Ferreira, além da Vectis, de Patrick O'Grady, Sérgio Campos, Alexandre Aoude e Paulo Lemann, são outros exemplos que vão engrossar a lista de novatas nos próximos meses. Nos dois últimos casos, para fazer gestão de fundos de "private equity".

Outra novidade é a chegada da Open Vista, uma empresa de gestão de investimentos on-line com foco em alocação global, fundada em Londres. O processo de lançamento no Brasil inclui pedido de autorização para fazer gestão e distribuição de fundos no país. Entre os sócios estão Marcelo Cabral, ex-executivo-chefe do Bradesco Europa e da Bradesco Securities, e Luiz Osório, que foi responsável pelo desenvolvimento de negócios internacionais da Bradesco Asset.

"É o fenômeno Adam", resume um gestor de recursos, referindo-se à rápida ascensão do ex-Safra Márcio Appel na gestão independente. Em pouco mais de dois anos, a Adam Capital fez fama e fortuna, reunindo um patrimônio de R$ 28 bilhões pela métrica da Morningstar - que exclui fundos de fundos e fundos de cotas domésticos. A casa já ocupa o 15º lugar no ranking do setor, em comparação à 21ª posição de um ano atrás. Em 12 meses, atraiu R$ 8,2 bilhões. Mais antiga, a badalada SPX Capital, de Rogério Xavier, também galgou alguns degraus e saiu da 16ª para a 12ª posição, com R$ 8,15 bilhões de ingresso em um ano, atingindo um patrimônio de R$ 33 bilhões.

"A expansão das gestoras independentes está ligada ao valor trazido pelas grandes corretoras de varejo, como XP Investimentos e Guide, que rapidamente, mesmo em caso de assets sem muito histórico, num mercado mais aquecido, conseguiram captar", diz Cristiano Leite, sócio do escritório Freitas e Leite Advogados, que entre suas especialidades formaliza processos de abertura de gestoras.

Em tempos de Selic em um dígito, o que se diz nos bastidores é que uma gestora precisa ter ao menos R$ 300 milhões sob seu guarda-chuva para se pagar, levando em conta que ela fique com 1% da taxa de administração dos 2% tradicionalmente cobrados num multimercado, já livre do rebate, a comissão paga ao distribuidor. Menos que isso, só se o fundo receber continuamente a taxa de performance, equivalente a 20% sobre o que render além do referencial, como o CDI.

Parece não ser uma tarefa tão inglória assim, mesmo após o baque dos multimercados do fim de maio para cá, com resgates de R$ 11,4 bilhões em junho e mais R$ 1,2 bilhão neste mês até o dia 19. A Legacy, liderada pelo ex-Santander Felipe Guerra e que começou a rodar as suas primeiras cotas no fim de junho, já passou da marca dos R$ 900 milhões.

A mudança estrutural trazida pelo surgimento das plataformas independentes trouxe muita capilaridade para fundos de terceiros ao dar acesso para um público além do private banking tradicional, diz Corchaki, da Trafalgar. Outro aspecto que tornou isso possível foi a queda de juros. "Na última vez que bateu algo semelhante, o grande problema era a falta de ativos. Havia muita demanda do cliente por risco, o investidor queria mais rentabilidade, mas faltava ativo bom."

Por essa razão, os dois fundos na prateleira da Trafalgar, um multimercado macro e um "long biased", que calibra a exposição em bolsa conforme o cenário, terão como foco a alocação em ativos da América Latina, ainda que o Brasil represente parcela relevante.

Roberto Chagas, que era o responsável pela gestão dos fundos de ações dedicados a Brasil e América Latina no UBS em Zurique, toca a estratégia de renda variável junto com o americano Alexander Carpenter, que trabalhou na filial da Itaú Asset Management em Nova York, com passagens pela Moody's e pelo private do HSBC.

Já o multimercado, diz Corchaki, é inspirado no "hedge fund" de Ray Dalio, da Bridgewater, equilibrando a carteira entre possíveis cenários, carregando proteções para desfechos alternativos. Isso tende a suavizar arranques ou tombos. A meta de volatilidade é de 6%.

Em pouco mais de cinco meses de atuação, a Trafalgar reúne cerca de R$ 1 bilhão, sendo metade disso em fundos abertos. "Os primeiros R$ 500 milhões são os mais difíceis, quando passa essa linha acelera fortemente", diz. Agora a casa negocia a distribuição em plataformas de investimento. No varejo, o macro deve aceitar aplicação mínima de R$ 5 mil a R$ 10 mil, enquanto o long biased é restrito ao investidor qualificado, com R$ 1 milhão em aplicações financeiras.

A Open Vista pretende oferecer ao brasileiro a oportunidade de aplicar fora do país, conta Cabral. "Acreditamos que existe oportunidade muito interessante para o investidor globalizar a sua carteira", diz. Não se trata de uma alternativa para aproveitar cenários de curto prazo, mas uma proposta estrutural de diversificação. A partir do perfil de risco e da definição dos objetivos, a plataforma on-line vai propor uma alocação, que será feita via fundos no Brasil que compram ativos no exterior. A gestão será própria, mas a empresa também costura acordos com alguns parceiros internacionais. Cabral ficará em Nova York, enquanto Raul Biancardi, ex-diretor internacional de gestão de ativos e private banking do Bradesco, na sede em Londres.

O projeto da Persevera começou a ser desenhado no fim do ano passado por Abbud, mas ganhou impulso com a chegada de Dammous e Fontoura no início de 2018. Com um time sênior, a casa vai privilegiar a gestão de fundos multimercados.

Fonte: Valor Econômico

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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