OFERTA DE APLICAÇÕES NO EXTERIOR CRESCE NO BRASIL

O nosso dia a dia está repleto de marcas estrangeiras: Apple, Google e Microsoft, no setor de tecnologia; Coca-Cola, Nestlé, Danone, em alimentos; Gilette, Johnson & Johnson e Oral-B, higiene pessoal, só para citar alguns. Mas, como investidores, especialmente de varejo, o acesso a essas companhias nunca foi tarefa fácil.

Esse cenário, contudo, começa a mudar. A forte desvalorização dos ativos brasileiros - causada pela crise do novo coronavírus, combinada com uma instabilidade na cena política local - escancarou uma realidade pouco discutida quando tudo está indo bem: a importância da diversificação dos investimentos, inclusive geográfica e também de moedas. E serviu de propulsor para a oferta de investimentos no exterior e produtos dolarizados.

A gestora brasileira GeoCapital, especializada em fundos no exterior, viu seu patrimônio aumentar 10% este ano para aproximadamente R$ 1 bilhão. O grande interesse mesmo foi pelos fundos dolarizados - a casa também tem opções com hedge cambial, mecanismo que permite converter o fundo para reais e eliminar a exposição à moeda americana.

“Por falta de conhecimento ou acesso, historicamente a maioria dos brasileiros investe pouco ou nada em empresas das quais são clientes. Alocam parte do seu salário na compra de produtos, mas não se beneficiam da mesma maneira como investidores. Ajudam na rentabilidade da empresa, mas não se beneficiam diretamente dela. A boa notícia é que isto já está mudando, movimento este que foi acelerado por esta crise”, diz Daniel Martins, CEO e diretor de investimentos da GeoCapital.

A Legg Mason, holding global que está em mais de 40 países, conta que, durante a crise global desencadeada pelo covid-19, a captação de seus fundos no Brasil atingiu R$ 21 milhões (até o fim de abril), crescimento de mais de 900% em relação ao mesmo período de 2019, quando a captação ficou em torno de R$ 2 milhões. Para Roberto Teperman, executivo-chefe da Legg Mason no Brasil, os dados mostram o apetite do investidor local para ativos globais uma vez que a queda da taxa básica de juros fez com que a renda fixa daqui perdesse bastante atratividade.

“Em muito anos, é a primeira vez que vemos captação positiva de fundos em época de crise e alta volatilidade no mercado. Isso mostra uma maturidade do investidor brasileiro que está enxergando oportunidades de acessar o exterior mesmo durante a crise”, comenta Teperman.

De olho no movimento natural de sofisticação de clientes, plataformas como XP e BTG Digital procuraram ampliar no último ano sua gama de opções, oferecendo fundos de renomadas gestoras, como as americanas Oaktree, Pimco, Man Group, Mobius e Wellington, e da seguradora

Ao mesmo tempo, gestoras de investimento que já atuavam no Brasil também se esforçaram para criar fundos ou trazer produtos que só vendiam fora para o cliente local. Este foi o caso da britânica Schroders que administra US$ 565 bilhões em recursos no mundo, e passou a oferecer um fundo de tecnologia da sua plataforma global, que aplica na estratégia “long short” (de arbitragem) da Contour, gestora com sede em Nova York (EUA).

Algumas gestoras brasileiras também estão correndo atrás. A Quasar Asset Management acaba de lançar no Brasil um fundo em dólar que investe em mercados emergentes, antes disponível só lá fora. Também baixou para R$ 1 mil o valor mínimo de aplicação de outro fundo que aplica 100% do patrimônio no exterior, mas é vendido em reais aqui. A empresa comprou em fevereiro a Galloway Capital, gestora especializada em ativos de crédito que tem cerca de R$ 800 milhões em ativos e cuja trajetória está associada à gestão de títulos de dívida soberana e corporativa em mercados emergentes.

Entre as plataformas, a Ágora, corretora do banco Bradesco, está só esperando a finalização dos trâmites legais da compra da BAC Florida Investments (BFI) para começar a oferecer produtos no exterior a seus clientes, segundo disse Leandro Miranda, diretor-executivo do Bradesco, ao Valor em fevereiro.

“Há alguns anos, apenas os investidores mais sofisticados e com estruturas offshore tinham acesso a uma oferta mais diversificada de produtos globais. Mesmo assim, muitas das vezes voltada apenas para gestores de segunda linha, dado que os valores mínimos para acessar os principais nomes eram muito altos”, lembra Bernardo Queima, sócio da HMC Itajubá, empresa que representa casas de gestão renomadas lá de fora no Brasil e faz sua ponte com as plataformas e gestoras brasileiras.

A facilidade de ter esse tipo de investimento aqui no Brasil ajuda a retroalimentar a demanda, na opinião de Queima.

Para o executivo, ajuda ainda o acesso a informação, com webinar e vídeos com os executivos dessas gestoras gringas, cobertura da imprensa sobre as previsões dos principais nomes globais da gestão e também a dedicação das plataformas para explicar como funciona esse tipo de investimento.

É fácil entender as vantagens da diversificação quanto se olha, por exemplo, para a perda de valor do real. Com o dólar em torno de R$ 5 ficou muito mais caro fazer uma viagem internacional do que quando estava abaixo de R$ 4, há cerca de um ano. Porém, quem investiu em dólares lá atrás, não teria motivos para se preocupar com os custos de uma viagem para fora.

Apenas neste ano, o dólar já valorizou mais de 20% ante o real, moeda que mais perdeu valor em relação à divisa americana entre os países emergentes. A variação cambial, porém, pode trazer outra “consequência invisível” para os brasileiros: a proteção contra as oscilações da inflação. Produtos que consumimos aqui que vêm de fora podem ficar mais caros, assim como os que

A diversificação funciona exatamente para compensar solavancos de um ou outro ativo na carteira, ou seja, proteger os investimentos. Mas também pode ser uma estratégia para diversificar o risco de investir em um só lugar, no caso, o Brasil. Um problema político aqui provavelmente mexe com a bolsa local, mas não impacta o mercado americano, nem o europeu.

“Ter um portfólio diversificado no que diz respeito às classes de ativos permite reduzir o risco total sem sacrificar os retornos no longo prazo. E a mesma ideia é verdadeira quando se trata de regiões geográficas”, diz Francine Balbina, analista de fundos internacionais da casa de análise Spiti.

A analista cita um estudo da Itajubá feito com dados da Morningstar que mostra o quanto o portfólio de renda variável pode melhorar quando o investidor adiciona nele produtos internacionais. Uma carteira hipotética que tem metade do patrimônio aplicado no Ibovespa e a outra metade no S&P 500 sofreu perda máxima anual de 7,42% nos últimos cinco anos, contra baixa de 28,14% do Ibovespa sozinho.

Do lado dos ganhos, também é vantajoso: a volatilidade diminui de 26,33% ao ano no Ibovespa para 16,78% no portfólio balanceado, assim como o retorno passa de 18,86% ao ano no Ibovespa em cinco anos contra 20,08% do portfólio S&P/Ibovespa. É o que mostrou o estudo publicado em janeiro passado, que considerou o período de 2015 a 2019.

Outra vantagem é o acesso a mais opções. Enquanto o mercado de capitais do Brasil tem cerca de 400 empresas listadas, o americano tem 5.400 opções. Para quem busca estratégias mais específicas, como empresas de tecnologia ou empresas de impacto ou ESG (empresas com melhores práticas ambientais, sociais e de governança), é natural que lá fora tenha muito mais alternativas do que aqui.

Fonte: Valor Econômico

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