ESTRATÉGIA DA PERSHING SQUARE CHEGA AO BRASIL

BTG Pactual distribui fundo que compra ações da holding de Ackman na bolsa de Amsterdã

Em outubro de 2014, o BTG Pactual foi um dos coordenadores da oferta inicial (IPO) da Pershing Square Capital Management, holding do lendário investidor Bill Ackman, na bolsa de Amsterdã. Agora, é pelas mãos do banco que o brasileiro passará a ter exposição às ações da empresa por meio de um fundo global montado exclusivamente para isso.

Destinado ao público qualificado, com mais de R$ 1 milhão em patrimônio financeiro - conforme determina regra da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) -, a carteira vai ser a forma de o investidor local capturar o desempenho das estratégias de Ackman.

Com um patrimônio de mais de US$ 10 bilhões, a gestora com sede em Nova York se tornou conhecida pelo perfil ativista de Ackman. Mesmo com ações da cafeteria Starbucks e da rede de hotéis Hilton, um dos maiores desenvolvedores imobiliários nos Estados Unidos, na carteira, o fundo se saiu bem na pandemia. Em live com André Esteves, sócio-sênior do BTG Pactual, o investidor contou que usou contratos de credit default swap (CDS, uma espécie de seguro contra calote) como “hedge” já no começo de fevereiro, uma vez que os spreads estavam bastante apertados.

“Parecia um caminho de mão única. Quando adicionava a pandemia com o fechamento da economia global parecia que o mundo não estava preparado para isso. Era um momento de medo e os custos de transação de crédito não estavam adequados”, comentou. O alerta acendeu quando a China fechou a cidade de Wuhan, reconhecida como foco inicial do novo coronavírus. “Eu fui de zero a US$ 71 milhões em crédito em 10 dias. Se desse errado, não perderia, poderia rolar a posição.”

Ackman chegou a ir à rede “CNBC” falar de suas preocupações e comentar que, se o governo do presidente Donald Trump paralisasse as atividades econômicas por 30 dias, poderia reabrir e recuperar a economia mais rapidamente. “Foi um fechamento meio bagunçado. Em vez de 30 dias, foram 90 e ainda estamos no meio do prazo. A recuperação econômica foi pior e o alastramento do vírus foi pior.” Na entrevista, ele mencionou que o Brasil foi um caso igualmente ruim. “O Brasil precisa levar o assunto a sério”, alertou.

Um dos casos de maior repercussão nos 16 anos da Pershing foi a posição “short” (vendida) em ações da Herbalife, empresa que o gestor chegou a classificar como um esquema torto de pirâmide.

Após uma cruzada de cinco anos contra a fabricante de suplementos alimentares, em 2019 a Pershing encerrou a aposta. Ackman não conseguiu extrair todo o resultado que esperava especialmente porque encontrou um rival à altura, o bilionário Carl Icahn, que por meio da Icahn Partners aumentou sua participação na Herbalife para 26% - o antagonismo entre os dois rendeu até um embate ao vivo pelo canal de TV “CNCB”, em 2013. Desde 2015, os papéis da empresa alvo da discórdia oscilaram entre a mínima de US$ 15,24 e a máxima de US$ 60,32 na Bolsa de Nova York.

“Bill ficou um pouco distante dos spotlights por conta do investimento em Herbalife, que trouxe muita atenção da mídia. Apesar disso, a performance tem sido bem sucedida nos últimos dois anos”, afirma Marcelo Flora, sócio-responsável pela plataforma digital do BTG Pactual.

Desde que o fundo de Ackman chegou ao mercado, em 2004, a estratégia apresenta valorização média de 15,5% ao ano, em comparação a 8,9% de performance do índice S&P 500, com baixa correlação com o referencial.

Com a ação da holding negociada com desconto na bolsa em relação às fatias das empresas investidas pelo fundo, a avaliação dentro do BTG foi que havia oportunidades de arbitragem. “A gente imagina que no tempo deveria convergir. O valor de ter a cesta de ativos e comprá-los individualmente deveria ser mais ou menos o mesmo”, diz Flora. Neste ano, as ações da Pershing têm valorização de mais de 30%, mas ainda estão 9% abaixo do que vale o fundo.

Estruturado como um fundo de ações líquido no Brasil, com resgate em três dias após o pedido do investidor, a carteira vai aceitar aplicações a partir de R$ 10 mil, com taxa de administração de 0,65% ao ano. É um portfólio que vem sem proteção cambial, capturando tanto as oscilações dos papéis na bolsa de Amsterdã quanto do dólar em relação ao real.

Ackman voltou recentemente a ser notícia pelo fato de a Pershing ter arquivado na Securities Exchange Commission (SEC) um pedido de registro de IPO que pode levantar mais de US$ 1 bilhão, conforme reportou a agência “Reuters”. Seria um cheque em branco para realizar investimentos sob o modelo de “special purpose acquisition company” (SPAC), área em que o investidor já administra cerca de US$ 4 bilhões.

A estreia de mais este fundo no catálogo do BTG Pactual reforça o foco em nomes emblemáticos da gestão de recursos global. Já são 40 carteiras disponíveis entre alternativas de renda fixa e de ações, com nomes como Pimco, Western, Oaktree, Robeco, BlackRock, Mobius e AQR, além de portfólios da plataforma internacional da LeggMason - operação recém-adquirida pela Franklin Templeton.

“Com as taxas de juros nos níveis que estão, faz sentido a diversificação. Ficando no Brasil só em multimercados, o investidor acaba não se preparando para todos os momentos, porque as posições são muito parecidas e aumentam o risco, ou uma afeta a outra e no final dá 100% do CDI. E [com a Selic] a 2% fica cada vez mais difícil...”, afirma Flora.

A ideia é seguir adicionando estratégias internacionais à grade. No ano passado, o BTG fechou acordo de distribuição exclusiva dos fundos da americana T. Rowe Price na América Latina. Primeiro, trouxe um fundo de alocação, que compra vários mercados globais, e em setembro vai ofertar o carro-chefe da casa, um portfólio de “small caps”, numa versão com hedge. Outra carteira que vai chegar em breve é o China Value Fund.

Fonte: Valor Econômico

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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