Home NEWS Capital Markets BNDES define gestor do fundo de mercado de acesso
Por Elisa Soares | Do Rio

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai anunciar hoje a escolha de Brasil Plural e Leblon Equity como gestoras de dois fundos voltados para o mercado de acesso. Cada fundo será composto por até oito empresas de porte médio - com faturamento entre R$ 16 milhões e R$ 90 milhões. E que planejem abrir capital nos próximos três anos.

As informações foram passadas com exclusividade ao Valor pelo superintendente da área de Capital Empreendedor do banco, Luiz Souto. Ele estima que os fundos devem ter, juntos, patrimônio de até R$ 600 milhões.

O BNDES será cotista via seu braço de participações, a BNDESPar, com até 30% do capital - o equivalente a até R$ 180 milhões. As companhias podem ser de qualquer setor. A condição é que elas se inscrevam no mercado de acesso.

A medida foi desenvolvida para estimular empresas menores a se financiarem via mercado de capitais. Hoje o tamanho médio das operações de abertura de capital no Brasil é o maior do mundo, de US$ 200 milhões a US$ 300 milhões. A média mundial é inferior a US$ 100 milhões.

"Por mais que tenhamos o Bovespa Mais, foram poucas operações e não tão bem sucedidas. A empresa prefere esperar antes de abrir capital", disse Souto. O Bovespa Mais é o segmento da BM&FBovespa voltado para pequenas e médias empresas.

A ideia inicial do BNDES era criar apenas um fundo, mas se surpreendeu com a receptividade da chamada pública. "Estamos muito otimistas. A expectativa é ter fundos operando no segundo semestre de 2015", disse.

O sócio fundador da Leblon Equity, Pedro Chermont, afirmou ao Valor que a gestora vai priorizar a escolha de empresas dos segmentos de varejo, consumo e serviços em geral para compor o fundo mercado de acesso. A gestora aposta na manutenção do crescimento das empresas do ramo, mesmo em cenário de crescimento econômico mais baixo nos próximos anos.

Souto, do BNDES, admite que o mercado está "em momento conjuntural mais difícil", mas afirmou que todos os elementos estruturais estão sendo construídos para quando a conjuntura favorecer. "Sou otimista. Os economistas fazem previsões todo dia, e todo mundo vê que 2015 vai ser um ano difícil", disse.

Ele acrescentou, entretanto, que sempre há recursos para boas oportunidades de investimento. "As boas oportunidades estão em empresas com alta taxa de crescimento e que conseguem passar por estes momentos difíceis que a gente tem a toda hora." Para ele, os fundos não vão parar suas operações. Vão "andar na velocidade possível".

Em termos de abertura de capital, Souto considera que 2015 será melhor. Este ano não foi feito nenhum IPO (oferta inicial de ações) e, por enquanto, apenas uma operação está sendo estruturada. "Ano que vem temos expectativa boa para o mercado de acesso. Em relação aos mercados de modo geral teremos duas ou três empresas prontas para IPO no novo mercado", disse.

A previsão de Souto é fechar 2014 com investimento de R$ 400 milhões em quatro empresas. Atualmente, a área que Souto chefia é sócia de 35 empresas de pequeno e médio portes. Para 2015, segundo Souto, a estimativa é investir em até seis empresas, no valor total de R$ 300 milhões a R$ 500 milhões. O foco são empresas inovadoras e de infraestrutura. O BNDES atua ainda garantindo a abertura de capital no mercado de acesso.

"Vamos ser âncora dos IPOs no mercado de acesso, garantindo até 20% da operação. Para isto temos R$ 1 bilhão que podem ser alocados ao longo de cinco anos", diz Souto. O produto já foi aprovado pela diretoria do banco, e a participação será feita por meio da BNDESPar.