Home NEWS Capital Markets Península, de Quintella, tira time da JGP para criar fundo de créditos inadimplentes

Por Cristiane Lucchesi

 

A Península Investimentos, empresa de gestão de recursos que tem o Credit Suisse entre os seus sócios minoritários, pretende levantar um fundo de até R$ 500 milhões para investir em créditos corporativos inadimplentes à medida que os casos de recuperação judicial crescem no País.

A Península contratou cinco pessoas para iniciar o novo negócio, segundo seu presidente Antonio Quintella, um dos sócios fundadores da empresa. A gestora, que tem sede em São Paulo, tem como objetivo iniciar a captação do fundo no segundo semestre do ano junto a investidores locais e estrangeiros e buscando retornos anuais de 25 por cento a 30 por cento, disse Quintella.

"Tivemos um boom de crédito nos últimos 10 anos, e pela primeira vez no Brasil vamos assistir a uma séria desaceleração econômica com tanto consumidores como empresas altamente alavancados", disse Quintella em entrevista no início deste mês na sede da Península.

A Operação Lava Jato, maior investigação de corrupção corporativa da história do Brasil, que envolve a Petrobras, está afundando a cadeia de abastecimento da petroleira controlada pelo Estado em uma crise de crédito e congelando a emissão de dívidas e ações. Ao mesmo tempo, os economistas preveem que a economia brasileira voltará à recessão neste ano, enquanto a inflação permanece acima da meta do Banco Central.

A piora da perspectiva econômica já está se mostrando nas estatísticas de crédito do Brasil. As dívidas com mais de 60 dias de atraso no pagamento subiram para o recorde de R$ 204 bilhões em janeiro, segundo o BC, e o número de empresas que entrou com pedido de recuperação judicial aumentou quase 34 por cento nos 12 meses até fevereiro, segundo estatísticas do provedor de dados Serasa Experian.

Queda do real

"Os bancos estatais que estavam sustentando a expansão do crédito no Brasil desde a crise de 2008 estão recuando e a severa desvalorização do câmbio também está exercendo pressão sobre as empresas com dívidas em dólares", disse Quintella em referência à queda de 27 por cento do real em relação ao dólar nos últimos seis meses.

Entre os setores com muitas empresas inadimplentes estão o de construção, açúcar e álcool, disse Rafael Fritsch, sócio da Península que ingressou na empresa com sua equipe em fevereiro vindo da JGP Gestão de Crédito Ltda. para ajudar a criar e gerenciar o novo fundo.

"Há mais por vir à medida que as taxas de juros subirem no Brasil e o crédito encolher", disse Fritsch, que gerenciava um fundo de R$ 200 milhões de créditos inadimplentes já fechado a novos investidores na JGP, com sede no Rio de Janeiro. Esse fundo é, agora, gerenciado em conjunto pela JGP e pela Península.

Antes de trabalhar na JGP, Fritsch foi gerente de portfólio da Arrowgrass Capital Partners LLP e negociou dívidas em atraso no Deutsche Bank AG e no Bank of America Corp. em Londres. Ele também trabalhou na divisão de assessoria de fusões do JPMorgan Chase Co.

Lei de falência

Os bancos e as corporações serão mais incentivados a vender os créditos de liquidação duvidosa porque a nova lei de falência está se mostrando menos amigável aos credores do que o esperado, disse Quintella, que em 2010 foi o executivo mais bem remunerado do Credit Suisse, com um pacote de remuneração de 15,6 milhões de francos suíços (US$ 16 milhões).

O Credit Suisse, que possui uma participação minoritária sem direito a voto na Península, ajudou a criar a empresa em 2012 com Quintella, que anteriormente foi o presidente para as Américas do banco com sede em Zurique. A Península possui atualmente cerca de 45 funcionários e gerencia em torno de R$ 2,5 bilhões em um fundo hedge que investe apenas em ativos líquidos.

Fritsch disse que a Península tem uma vantagem no Brasil porque até o momento não há muita concorrência.

"Nós não temos grandes fundos hedge que compram ativos passíveis de calote aqui como vemos nos EUA e na Europa", disse Fritsch. "Essa situação provavelmente mudará a partir de agora".

 

Fonte: Uol