Home NEWS Private Equity Pátria vai lançar ações da rede Alliar no Novo Mercado

Por Beth Koike | De São Paulo

Fundada há apenas cinco anos pela gestora de private equity Pátria, a rede de medicina diagnóstica Alliar entrou com um pedido de oferta inicial de ações (IPO) na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A abertura de capital não é uma surpresa, uma vez que a Alliar foi criada já com o propósito de ir para a bolsa. Ao que tudo indica, o Pátria vai replicar o modelo de expansão adotado no grupo Dasa, dono de marcas como Delboni Auriemo. O fundo foi acionista da maior companhia de medicina diagnóstica por dez anos, período em que liderou o IPO, fez aquisições e vendeu suas ações. Atualmente, a Dasa pertence ao empresário Edson Bueno, fundador da Amil.

A história da Alliar chama atenção pelo rápido crescimento, impulsionado, principalmente, por cerca de 20 aquisições. O maior negócio foi fechado com o Centro de Diagnósticos do Brasil (CDB) que possibilitou à Alliar entrar na capital paulista há dois anos. A transação, avaliada em R$ 527 milhões, foi paga por meio de troca de ações e os fundadores do CDB, os médicos Sergio Tufik e Roberto Kalil Issa, passaram a deter juntos 40% da Alliar. Os dois médicos é que vão colocar suas ações à venda no IPO com ofertas primárias e secundárias. A fatia a ser negociada na bolsa ainda não está definida, mas será no mínimo de 25% porque o objetivo é listar a empresa no Novo Mercado.

O Pátria, por sua vez, não deve vender sua participação, que hoje é de 25,7%, na oferta pública e pode inclusive colocar dinheiro para não ter sua fatia diluída num aumento de capital. O fundo de private equity quer continuar na companhia por acreditar que o negócio pode gerar mais ganhos, segundo fontes.

Além dos fundos Pátria e Kinea e dos fundadores do CDB, há outros 74 médicos que venderam seus laboratórios e tornaram-se sócios da Alliar. O modelo da rede de medicina diagnóstica contempla a compra de 100% do negócio, sendo que metade é paga em dinheiro e outra parcela em ações da companhia. A cada nova aquisição, a fatia dos acionistas é diluída, mas em troca de uma participação de uma companhia maior.

O dinheiro levantado no IPO será destinado para expansão e amortização do passivo bancário. Segundo informações do prospecto preliminar da Alliar, parte dos recursos levantados na oferta primária será destinada ao pagamento de uma dívida com um dos bancos coordenadores da transação que são o Bank of América Merrill Lynch (BofA), Itaú BBA e o Santander. O nome da instituição financeira que receberá o pagamento não foi revelado.

No primeiro semestre, a Alliar obteve receita líquida de R$ 439 milhões, o que representa um crescimento de 32% em relação ao mesmo período de 2015. Na última linha do balanço, a rede apresentou uma forte melhora ao registrar um lucro líquido de R$ 5,6 milhões ante prejuízo de R$ 46 milhões nos seis primeiros meses de 2015. Essa expansão foi puxada, principalmente, pela aquisição em fevereiro do laboratório Delfin, rede de medicina diagnóstica da Bahia que recebeu aporte do fundo Kinea em 2012.

A Alliar tem mais de 100 unidades em 10 Estados do país que oferecem, principalmente, exames de imagem. Não à toa, a rede tem mais de 100 equipamentos de ressonâncias magnéticas - número maior que o Fleury. Há dois anos, com a compra do CDB, a Alliar passou a trabalhar também com exames de análises clínicas.

Fonte: Valor Econômico