Home NEWS Private Equity Sócios do Eataly negociam aporte

Por Adriana Mattos

As negociações entre os sócios brasileiros dos supermercados St Marche e do Eataly, mercado de alimentos italianos que abriga também restaurantes, e o fundo americano Catterton, avançaram nos últimos dias. No caso do Eataly, está em negociação a venda de uma fatia dos 40% que Bernardo Ouro Preto e Victor Leal têm no negócio, por meio da holding Ominus Participações, conforme apurou o Valor. Segundo informações que circulam no mercado, pode ser negociada até a metade dessa posição. Ouro Preto e Leal também são sócios da varejista St Marche.

A participação do fundador italiano da rede Eataly, Oscar Farinetti, na operação brasileira não faz parte das conversas. Ele tem 60% do Eataly, dividido com outros investidores estrangeiros.

A transação deve envolver também a segunda unidade do Eataly no país, que será instalada na capital paulista. Segundo o Valor apurou, o novo espaço deve ficar na esquina da avenida Paulista com a alameda Campinas. A marca opera uma unidade na zona sul de São Paulo desde o ano passado.

Farinetti, que veio ao Brasil esta semana para participar do evento de varejo Latam 2016, da GS&MD - Gouvêa de Souza, preferiu não dar detalhes sobre a nova unidade em São Paulo. Disse apenas que o projeto está "sendo pensado". Sobre as negociações relacionadas à venda de uma participação do Eataly ao Catterton, ele disse que não haverá venda ou diluição dos sócios estrangeiros. "Nós não precisamos, estamos bem assim", afirmou.

Circulou no mercado a informação de que a empresa de private equity SouthRock Capital estaria comprando uma fatia do St Marche e do Eataly, mas segundo uma fonte, a negociação está sendo feita apenas com o Catterton.

Segundo o criador do Eataly, a expectativa é que os investimentos feitos no Brasil "se paguem" em três anos. Ele disse que o negócio não sofreu com a crise econômica, mesmo com a alta do dólar no ano passado. "Aumentou o tráfego, e o tíquete, por enquanto, não foi afetado [...]. Nunca tivemos queda nas vendas que nos obrigou a reduzir margem", afirmou.

Farinetti contou que, por dia, são servidas cerca de 2,5 mil refeições na loja paulista - quase 3 mil consumidores fazem compras lá diariamente. "O Eataly de São Paulo é o mais italiano de todas as lojas no mundo. Brasileiros amam risotto, massa e vinho", afirmou.

A rede de varejo e de restaurantes tem 33 lojas no mundo, e em novembro deve abrir nova unidade em Boston, nos Estados Unidos, e em Moscou, na Rússia. Em dezembro, inaugura uma loja em Trieste, na Itália, e prepara abertura em Doha, no Catar, e em Copenhagen, na Dinamarca. Segundo Farinetti, nos próximos três anos, serão "mais de 20 aberturas". "Queremos melhorar nossa posição no mercado europeu abrindo em Londres, Paris, Madri e Estocolmo. E logo vamos anunciar nosso parceiro na Ásia, para inaugurações em Pequim e Xangai, na China", disse.

Questionado sobre a desaceleração no crescimento da economia no mundo, com vários países afetados por crises políticas e econômicas, ele disse que seu modelo de negócio tem se adaptado às demandas de cada mercado e não vê retração.

Fonte: Valor Econômico