Home NEWS Private Equity Actis negocia 37% da Cruzeiro do Sul com três fundos

Por Beth Koike

A gestora de recursos britânica Actis está em negociações avançadas para a venda de sua participação de 37% da Cruzeiro do Sul Educacional. As conversas são com os fundos Bozano e Gávea, que montaram um consórcio, e com o Warburg Pincus, segundo o Valor apurou.

A transação é avaliada em cerca de R$ 500 milhões e envolve também a venda de uma fatia de 3% da família Naddeo, fundadora da Unicid, uma das instituições de ensino que compõem o grupo educacional que tem cerca de 150 mil alunos.

Os demais 60% pertencem ao fundador da Cruzeiro do Sul, Hermes Figueiredo, que inclusive já conversou com os representantes dos fundos que estão na disputa final.

Segundo fontes, o professor Hermes, como é conhecido no setor, está mais inclinado para um dos fundos, mas o outro concorrente ofereceu um preço um pouco melhor, o que teria agradado mais ao Actis.

Mas o valor não deve ser um empecilho para o avanço das negociações até porque o atual gestor do Warburg Pincus no Brasil, Piero Minardi, foi poroito anos do Gávea - ou seja, o "jeito de preficicar" ativos, em ambos ladosnessa disputa, é muito parecido.

O que deve contar muito ponto nessa transação é ter um bom relacionamento com o fundador da Cruzeiro da Sul. Isso porque Hermes tem uma forte resistência em diluir sua participação - uma demanda que poderia surgir num IPO (oferta inicial de ações) ou caso o novo sócio queira deter o controle do negócio. A própria gestora britânica tentou, sem sucesso, aumentar sua fatia, o que é uma prática entre os fundos de private equity.

Ainda assim, a Actis vai sair da Cruzeiro do Sul com um ganho significativo.

Em 2012, a gestora inglesa pagou R$ 180 milhões por 37% da instituição de ensino e agora está vendendo por quase o triplo desse valor. Nesses quatro anos, a Cruzeiro do Sul aumentou em três vezes o número de alunos.

A estimativa é que neste ano o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) fique em torno de R$ 200 milhões, com margem na casa dos 20%. Em 2015, o lucro líquido saltou 88% e atingiu R$ 81 milhões e a receita líquida aumentou 18% para R$ 690 milhões.

Um dos atrativos para o fundo Bozano, que nesta transação se juntou à Gávea, é a faculdade de medicina da Cruzeiro do Sul, em Franca, no interior de São Paulo. A Bozano e alemã Berteslmann criaram uma holding de faculdades de medicina e saúde, uma modalidade de negócio em que vários investidores estão de olho - mas Bozano e Berteslmann é quem saíram na frente.

O grupo Cruzeiro do Sul tem oito instituições de ensino superior e sete colégios de ensinos básico e médio.

Fonte: Valor Econômico