Home NEWS Private Equity Omega avalia aquisições enquanto aguarda retomada dos leilões

Por Camila Maia

A Omega Energia, controlada pelos fundos Tarpon e Warburg Pincus, vai concluir neste semestre um investimento de R$ 1,5 bilhão no primeiro parque eólico do Maranhão. Com isso, a empresa alcançará aproximadamente 500 megawatts (MW) de potência instalada. Os planos são de ir além disso, mas dependem da disposição do governo de voltar a promover leilões de geração, depois do cancelamento do leilão de energia de reserva (LER) às pressas em dezembro, disse Antonio Bastos, presidente da empresa, em entrevista ao Valor.

Nesse meio tempo, a empresa avalia crescer por meio de fusões e aquisições, mas a preferência continua sendo pelo desenvolvimento de projetos próprios.

Concluída a obra de construção do Complexo Eólico Delta 3, no Maranhão, com 220 MW de potência, a Omega vai se concentrar na operação dos seus ativos, sem novos projetos contratados em construção. "Esperávamos que o leilão nos ajudasse a continuar investindo mas, infelizmente, não foi dessa vez. Procuramos alternativas em aquisições ou investimentos, eventualmente também em energia solar", disse Bastos.

A Omega tem ainda em operação dois complexos eólicos que somam 144,8 MW nos municípios de Ilha Grande e Parnaíba, no Piauí. Além disso, há uma Central de Geração Eólica de 28,1 MW em no interior do Rio de Janeiro, e outros 82,5 MW divididos em quatro pequenas centrais hidrelétricas (PCHs).

Segundo Bastos, a companhia avaliaria aquisições de projetos que tenham retornos adequados e próximos dos obtidos em leilões de geração. "Existem muitos projetos no mercado em negociação. Mas nosso foco, nosso DNA, é construir e desenvolver. Nosso time sabe fazer muito bem o serviço de mapear uma boa região de vento, coordenar com os fornecedores", disse o executivo.

"Se não conseguirmos, eventualmente, podemos comprar ativos. Mas nossa prioridade é desenvolver", completou.

Investimento em energia renovável tem baixo custo, mas potencial de gerar empregos e impulsionar a economia

A Omega tinha projetos de complexos eólicos no Piauí, Maranhão e Ceará habilitados para o LER de dezembro. "Foi frustrante o cancelamento. Tínhamos uma série de investidores interessados e comprometidos em retomar os investimentos no Brasil. O cancelamento em cima da hora foi um pouco embaraçoso", disse.

O certame foi cancelado com menos de uma semana de antecedência, provocando protestos nas empresas das fontes eólica e solar, que já tinham inclusive aportado as garantias dos projetos. A justificativa do governo foi o excesso de energia contratada no país, além da revisão para baixo na demanda feita dias antes dessa decisão.

"Temos convicção de que investir em infraestrutura em um processo que permite a retomada do desenvolvimento econômico", disse Bastos. Segundo ele, um investimento em energia renovável tem baixo custo, sem grandes efeitos inflacionários, mas tem o potencial de gerar empregos e impulsionar a economia. "Claro que há outras questões, como a sobrecontratação das distribuidoras. Mas tenho certeza de que não podemos correr o risco de começar uma recuperação e ser um 'voo de galinha', com falta de energia daqui alguns anos", disse.

A ideia do leilão de descontratação de reserva que o governo pretende fazer nos próximos meses é bem-vinda pelo executivo, desde que as empresas sejam obrigadas a pagar uma contrapartida em troca da participação no certame.

"Temos que tomar muito cuidado para que nenhuma medida do governo sinalize desobrigação dos empreendedores de cumprirem contratos. Isso pode enfraquecer o marco regulatório" disse.

Fonte: Valor Econômico