Home NEWS Real Estate Accor e Atlantica planejam dobrar redes em três anos

Por João José Oliveira | De São Paulo

Claudio Belli/Valor
Roland de Bonadona, da Accor, quer ampliar rede em 155 unidades até 2018

A construção de novos hotéis, que elevou a oferta em 21% nas doze cidades-sede da Copa do Mundo, realizada no Brasil este ano, limitou oportunidades de lançamentos em alguns grandes centros, mas não zerou planos de expansão nas duas maiores administradoras do setor - a francesas Accor e a brasileira Atlantica Hotels. Ambas planejam quase dobrar a capacidade instalada nos próximos três anos.

"Passada a Copa, há um momento de acomodação nas cidades-sede, que receberam mais investimentos. Mas não aconteceu esse aumento de oferta nas cidades menores", disse o presidente da Accor Américas & Caribe, Roland de Bonadona, que responde por 200 hotéis em 84 cidades.

O grupo francês Accor projeta ampliar a rede em 155 unidades para 355 endereços até 2018. Os empreendimentos vão demandar R$ 5 bilhões, em terrenos e construção de prédios, e elevar a capacidade em 24 mil quartos. O plano anterior previa 140 novas unidades até o fim de 2017, com aportes de R$ 2 bilhões. O aumento expressivo do valor a ser investido foi determinado pelo encarecimento dos terrenos e pela entrada de projetos maiores no "pipeline".

Os investimentos nessa expansão não serão feitos pela Accor, mas por incorporadores, companhias e aplicadores. Esses agentes serão os proprietários dos empreendimentos, mas assinam contratos de longo prazo - de 5 a 20 anos - com a rede hoteleira, que será a administradora dos endereços por meio das marcas que opera no país: Pullman, MGallery e Grand Mercure; as bandeiras intermediárias Novotel, Mercure e Adagio; além das classes econômicas ibis, ibis Styles e ibis budget.

O Brasil é o terceiro maior mercado da Accor no mundo e o mais importante nas Américas. O plano do grupo é reforçar essa posição aumentando a capilaridade. "Cidades secundárias e terciárias vivem um momento de crescimento econômico", disse Bonadona.

Parte da expansão da Accor será feita por meio de franquia, em especial nos segmentos econômico e super econômico. "A franquia é solução para o desenvolvimento em maior escala porque permite acordos com parceiros locais, que conhecem o potencial de desenvolvimento nessas regiões", disse Bonadona.

"Há excesso de oferta em cidades como Porto Alegre, Salvador e Belo Horizonte", observa o vice presidente de Desenvolvimento da Atlantica Hotels, Rafael Guaspari, que responde por 84 hotéis, em 42 cidades do país.

A Atlântica Hotels planeja chegar ao fim de 2017 com mais 77 hotéis em outras 16 cidades. Os investimentos nesses projetos são estimados em R$ 3 bilhões, que serão aportados por aplicadores individuais, incorporadores e outros investidores que serão proprietários dos empreendimentos, cabendo à Atlantica a gestão dos hotéis.

"Há uma fase de ajustes no mercado. E nesse ciclo, as conversões são mais demandadas que novos projetos", disse Guaspari, que vê espaço para transformar hotéis independentes, no interior brasileiro, para uma das nove bandeiras que representa. "A conversão transfere para as redes hotéis independentes que enfrentam gargalos em momentos de demanda mais limitada", disse o vice presidente do grupo.