Home NEWS Real Estate Marriott prevê ter 50 hotéis em 15 anos

Por Marina Falcão | Do Recife


Mesmo diante de um horizonte de atividade econômica fraca no Brasil, a americana Marriott está colocando em prática um plano para ampliar dos atuais seis para, no mínimo, 50 a quantidade de hotéis da companhia no país em até 15 anos. Para Craig Smith, presidente da Marriott para América Latina e Caribe, o México deve liderar a expansão da empresa na região, mas que o Brasil também reserva grandes oportunidades por possuir uma baixa penetração de marcas internacionais no setor hoteleiro.

Desde 2012, a Marriott já tinha traçado metas para transformar o Brasil em uma operação relevante para a empresa, que disputa com a rede Hilton o título de maior do mundo no setor, com faturamento equivalente a R$ 37 bilhões em 2014. No entanto, apenas com a criação do cargo de presidente para América Latina e Caribe, dois anos atrás, é que o projeto decolou. De lá para cá, o escritório regional passou por vários ajustes, explica Smith.

"Quando a Marriott começou na América Latina tinha muitos chefes americanos, que não falavam espanhol nem português. Hoje, 95% do escritório fala, no mínimo, dois idiomas, senão três. E 90% têm experiência na América Latina", conta.

Dona de 18 bandeiras (entre elas a Renaissance), a Marriott chegou ao Brasil há 18 anos. Durante a maior parte desse período, a empresa praticamente não fez novos investimentos no país. Estava concentrada na expansão nos Estados Unidos, estratégia que deu uma guinada quando o executivo Arne Sorenson assumiu o comando da empresa, em 2012. Sorenson foi o primeiro de fora da família Marriott a liderar os negócios.

Smith esteve ontem no Recife para a inauguração do sexto empreendimento do grupo no Brasil (da bandeira Courtyard) e revelou que a Marriott já tem assinado contrato para dez novos hotéis no país, que devem ser inaugurados até 2017. Além disso, a empresa está negociando "muito mais contratos em São Paulo e Brasília no momento", de acordo com o executivo.

Focado em viajantes de negócios, o empreendimento no Recife é fruto de uma parceria da multinacional com a construtora local Rio Ave, que investiu R$ 65 milhões no projeto. Dois novos contratos de empreendimentos na capital pernambucana já foram firmados com o mesmo parceiro pernambucano. "Será um empreendimento com a bandeira econômica Fairfield e outro no padrão cinco estrelas da marca Marriott", diz Alberto Ferreira, diretor comercial da Rio Ave.

Segundo Smith, as demais unidades em construção estão localizadas no Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina.

A expansão do Brasil deve contribuir para a meta da companhia de aumentar de 90 para 150 a sua quantidade de hotéis na América Latina em quatro anos. Smith diz que o ritmo mais acelerado será no México, onde a empresa já tem 25 hotéis e pretende abrir mais nove apenas este ano. "O México está muito próximo dos Estados Unidos, onde as perspectivas para a economia são boas. Há o acordo de livre comércio, o país experimenta um bom momento industrial e tem uma classe média que cada vez viaja mais. É um bom momento para o México", afirma.

As perspectivas econômica para o Brasil, no curto prazo, são "menos quentes", afirma Smith. No entanto, o executivo crê que o país ainda tem uma carência em número de hotéis e, principalmente, de empreendimentos com padrão internacional.

O caso do Recife, uma das principais apostas da empresa, é emblemático. Capital da segunda maior economia do Nordeste e dona do maior PIB per capita da região, Recife não contava com hotéis de marcas internacionais até bem pouco tempo. O cenário está mudando rapidamente na cidade. No mês passado, a francesa Accor fechou parceria para administrar a rede local Pontes Hotéis, dona de dois hotéis na capital pernambucana e de um resort em Porto de Galinhas, no litoral sul do Estado. Pouco antes disso, a americana Starwood inaugurou um empreendimento de luxo da marca Sheraton no Paiva, região metropolitana da cidade.

Smith descarta a ideia de que as metas para país e América Latina sejam muito agressivas. "50 hotéis é o que temos apenas na cidade de Atlanta (EUA)", compara o executivo.

Ele prefere pensar no Brasil com foco no horizonte de longo prazo. "É um pouco de roubar espaço [dos concorrentes], mas também de crescimento de demanda", diz.

Smith lembra que, em 2001, o lançamento do Marriott próximo ao aeroporto de Guarulhos (SP) foi recebido com descrédito. "Hoje se pensa em ampliação do número de quartos neste hotel porque eles está lotado todos os dias e as tarifas são boas".

Fonte: Valor Econômico