Home NEWS Real Estate Com a crise, hotéis ajustam seus planos

Por João José Oliveira | De São Paulo

As redes de hotéis de capital nacional de médio e grande portes reduziram o ritmo de expansão e ajustaram seus plano de negócios para atravessar a recessão econômica, que este ano já reduziu em 2% a taxa de ocupação e em 5% a diária média no setor de hospedagem.

Em vez de erguer novos empreendimentos nas maiores capitais brasileiras, grupos nacionais como Nobile, o quarto maior do país, Allia Hotels (o 11º maior) e Results Travel Inn (28º no ranking) estão tentando converter hotéis independentes para suas marcas e lançar unidades em cidades secundárias, onde ainda há demanda superior à oferta.

"Só graças aos novos hotéis, conseguimos faturar até o fim de agosto R$ 125 milhões, o mesmo que faturamos em todo 2014. Mas se considerássemos apenas os mesmos hotéis do ano passado, teríamos queda porque a taxa de ocupação média recuou 6,8%", disse o presidente e sócio da Nobile, Roberto Bertino, que administra uma rede de 27 hotéis, sendo quatro inaugurados este ano.

O plano da Nobile, que tem bandeiras próprias além de representar no Brasil as americanas Red Roof e Wyndham, é atingir no ano que vem R$ 150 milhões em faturamento, um incremento de 20% sobre 2015, apostando na incorporação de mais hotéis. Das 14 unidades que a Nobile vai agregar à sua rede até o fim de 2016, quatro são conversões de empreendimentos que pertenciam a administradores independentes. "A crise tem levado hotéis independentes a buscarem as redes como forma de aumentar a capacidade de atrair hóspedes", disse Bertino.

O presidente da Nobile disse que as novas unidades serão inauguradas principalmente nas cidades fora dos centros mais disputados, como São Paulo, Rio e Brasília, as chamadas praças secundárias, como Vitória, Manaus, Curitiba, Foz do Iguaçu (PR) e Varginha (MG).

"O impacto maior da crise é na rentabilidade", afirma o presidente da Allia Hotels, André Monegaglia, que responde por uma rede de 37 empreendimentos em 17 cidades. Este ano, o grupo assinou 11 novos contratos de unidades e inaugurou quatro hotéis nas cidades de Goiânia, Vitória, Itabira (MG) e Sorocaba (SP).

O plano desenhado no ano passado era somar 60 hotéis até o fim de 2018. "Mas muitos parceiros postergaram ou adiaram projetos. Por enquanto posso afirmar que vamos inaugurar 15 unidades", disse Monegaglia.

Segundo ele, as bandeiras mais econômicas estão com maior aderência ao atual momento, casos da Bristol Easy e All Inn, duas marcas da Allia.

"Sofremos o impacto da economia em relação aos últimos dois anos. Há unidades com queda de 4% a 15% de RevPar [receita média por unidade]", admite o presidente do grupo Results, dono da marca Travel Inn, Manuel Gama - também presidente do Fórum dos Operadores Hoteleiros do Brasil (Fohb).

Segundo ele, para driblar essa conjuntura adversa, a Results está reformulando toda plataforma digital, para aproveitar hábitos de consumo dos clientes da rede, dona da marca Travel Inn, composta por 17 hotéis em cinco estados do país. "Também vamos aperfeiçoar nosso revenue management [gestão de receita]", disse o executivo, dizendo que precisa melhorar a sintonia entre tarifas praticadas conforme dias da semana e calendário de vendas.

O Results planeja abrir dez novos hotéis no interior de São Paulo, com cidades que tenham um mínimo de 500 mil habitantes, outros cinco no Estado do Rio e mais três no Nordeste. Mas o executivo admite que o ritmo de expansão vai ser mais lento que o originalmente desenhado, com horizonte até 2018.

"Não enxergo ainda sinais de que a situação vai melhorar", diz Gama. "Mas a economia brasileira é forte o suficiente para que a economia continue andando".

Fonte: Valor Econômico