Home NEWS Real Estate Bresco inaugura primeira fase de projeto de R$ 1 Bilhão

Por Chiara Quintão

Bresco, empresa de propriedades comerciais para renda, inaugura hoje, oficialmente, seu maior projeto, o Parque Corporativo Bresco Viracopos, em Campinas. O empreendimento já consumiu R$ 400 milhões do total de R$ 1 bilhão previsto para o complexo. A empresa foi fundada por Carlos Betancourt; pelos controladores da Natura Guilherme Leal, Pedro Passos e Antônio Luiz Seabra; além de outros sócios.

A inauguração ocorre no contra-fluxo do ciclo imobiliário. "Estamos olhando horizonte de investimentos que ultrapassa dez anos, muito além dos próximos dois ou três anos difíceis. Nosso negócio é de longo prazo", afirma Betancourt, que atua há quase 30 anos no setor. Quando concluído, em cinco ou seis anos, o empreendimento terá pouco mais de 400 mil metros quadrados e representará cerca de 30% do portfólio da empresa, que é de R$ 1,5 bilhão atualmente.

Como parte do Parque Logístico, a Bresco entregou, na semana passada, galpão especulativo (sem definição prévia dos ocupantes) e apresenta, hoje, hotel com 200 quartos da bandeira Ramada. No local, já há um projeto misto, ou flex, de escritórios e galpões, um centro de distribuição e outro de treinamento da John Deere e um centro de treinamento da Azul.

"Costumo dizer que é um empreendimento corporativo de frente para o mar. É vizinho ao muro de Viracopos, fica a 1,2 quilômetro da Rodovia dos Bandeirantes, próximo à Anhanguera, à Castelo Branco, ao Rodoanel de Campinas e à malha ferroviária", diz Betancourt.

O terreno foi comprado pela Bracor, que também era presidida pelo executivo e deixou de operar em setembro de 2011. A Bresco comprou a área da Bracor no ano seguinte. Foram necessários quase seis anos para a obtenção de licenças, de acordo com o presidente da Bresco.

De acordo com o executivo, há conversas avançadas com potenciais ocupantes interessados no galpão especulativo. Cerca de metade do flex está negociada, e há 20% de ocupação. Entre os inquilinos do flex estão a Embraer e a Go Log Transportes.

"O preço de locação está um pouco abaixo da previsão inicial, mas muito bom frente ao ambiente em que vivemos", diz Betancourt. A Bresco oferece carência para início dos aluguéis, mas não allowance (subsídios aos inquilinos para despesas com mudança e adaptação do imóvel).

Na avaliação do executivo, os preços de locação de galpões e escritórios já chegaram ao piso e, à medida que os estoques forem absorvidos, haverá "correções bastante rápidas". Isso ocorrerá a partir do segundo semestre do próximo ano, nas estimativas do executivo, e um novo ciclo imobiliário pode ter início em 2018. "Em quase 30 anos, nunca vi um momento tão favorável para o inquilino como estamos vivendo agora", diz, acrescentando que os ocupantes nunca tiveram tanta capacidade de melhorar a ocupação.

Betancourt conta que é "obcecado por analisar ciclos imobiliários" e que, quatro ou cinco anos atrás, percebeu que havia exagero no mercado. "Há quatro anos, os valores cobrados no segmento de logística, no Brasil, eram muito superiores ao de um centro importante como Chicago. Hoje, os preços praticados estão muito baixos", compara.

O foco dos negócios da Bresco é o Estado de São Paulo, mas há atuação também em Minas Gerais, no Paraná e no Rio Grande do Sul. A empresa avalia oportunidades de crescimento por meio de aquisições e de desenvolvimento de projetos, "mas com cautela", segundo Betancourt. Recentemente, fechou uma aquisição em São Paulo e outra em Minas Gerais, ambas no segmento de logística.

Há cerca de quatro anos, a Bresco começou a investir também no exterior na busca de fazer melhor uso do capital. A fatia de negócios fora do Brasil corresponde a 20% do total. No Japão, a empresa tem investimentos em logística. Nos Estados Unidos, comprou prédios de escritórios e investimentos em uma empresa imobiliária do segmento residencial e outra de escritórios. "Nos últimos anos, tivemos um resultado forte do ponto de vista do câmbio nessas operações."

Fonte: Valor Econômico