Home NEWS Real Estate Jaguar conclui captação de US$ 350 mi para imóveis

Por Carolina Mandl

A gestora americana Jaguar Growth Partners concluiu neste ano a captação de um fundo de private equity imobiliário de US$ 350 milhões para realizar investimentos na América Latina.

À frente da companhia, estão Gary Garrabrant e Thomas McDonald, que trabalhavam com um dos maiores investidores imobiliários globais, o americano Sam Zell. Em 2013, logo depois de deixar a Equity International, do megainvestidor, eles fundaram a Jaguar com o objetivo de captar recursos de terceiros para aplicar no segmento imobiliário em economias emergentes.

Quatro investidores se juntaram ao projeto da Jaguar: The University of Texas (UTIMCO, fundo de gestão de recursos da universidade), a seguradora New York Life e o International Finance Corporation (braço de investimentos privados do Banco Mundial), além de uma gestora da fortuna de uma família estrangeira, cujo nome é mantido em sigilo. Esses investidores também atuam via conselho nas empresas investidas.

O fundo da Jaguar tem como objetivo realizar investimentos imobiliários nos mercados que os gestores consideram mais atraentes da América Latina: Brasil, México, Argentina e região andina. "O que buscamos é diversificação geográfica, setorial e também do ciclo de vida das empresas que compramos", afirma McDonald.

Apesar de a captação ter sido recém-concluída, em breve os investimentos do fundo já devem ser concluídos com uma aquisição no México. Isso porque antes mesmo de ter fechado o fundo, a Jaguar já estava desde 2015 fazendo aquisições.

Naquele ano, por exemplo, comprou uma participação na LatAm Logistic Properties, voltada para imóveis industriais no Peru, Colômbia, Costa Rica e Panamá.

Recentemente, a companhia também anunciou a intenção de adquirir até 30% das ações da incorporadora Tenda, controlada pela Gafisa. O negócio está em andamento. Além disso, a Jaguar tem desde setembro uma participação na empresa de shopping Aliansce.

McDonald diz acreditar no potencial da Tenda pelo fato de a companhia estar no segmento mais popular do programa Minha Casa Minha Vida. Os sócios da Jaguar são velhos conhecidos da Gafisa. Por meio da Equity International, de Zell, eles faziam a gestão do investimento na incorporadora. Por enquanto, McDonald afirma que a Jaguar não deve entrar em outros segmentos de incorporação residencial. A visão da gestora é que ainda deve levar um tempo para as empresas reduzirem seus estoques de unidades.

Para shopping center, McDonald diz ter feito o investimento na Aliansce por acreditar que o setor vai passar por uma onda de consolidação, que facilita a negociação com lojistas. "É difícil dizer quantas empresas ficarão no mercado, mas nos EUA nos anos 50, 70% dos shoppings estavam nas mãos de 5 ou 6 empresas. Hoje, essas companhias detém 70% dos shoppings.

No Brasil, o movimento deve ser parecido." No passado, os sócios da Jaguar faziam a gestão do investimento de Zell na BR Malls.

No geral, McDonald tem uma perspectiva positiva para o Brasil. "O país parece estar em processo de saída de um período econômico e político complicado. Não é rápido, tem de ter visão de médio, longo prazo. Mas, como investidores, temos de entrar em períodos que não são fáceis." O fundo da Jaguar tem um prazo de investimento que vai de sete a dez anos.

Ao longo desse período, porém, a Jaguar não deve fazer apenas a gestão do fundo. McDonald diz que novos investimentos podem ser feito no Brasil. A gestora já chegou a avaliar companhias de securitização. Até 2012, a Equity International era sócia da securitizadora Brazilian Finance & Real Estate, vendida para o BTG Pactual.

Fonte: Valor Econômico