Home NEWS Wealth Management Fundos exclusivos: simples como morar em um prédio

Por Alexandra Almawi

 

Na hora de garantir um futuro tranquilo, opções de investimentos não faltam. Há várias modalidades, como poupança, mercado de ações, CDBs, Tesouro Direto, imóveis. Mas você já pensou em criar um fundo de investimento?

O fundo de investimento é um condomínio que reúne recursos de um conjunto de investidores, os cotistas, com o objetivo de obter ganhos financeiros a partir da aquisição de uma carteira de títulos ou valores mobiliários, respeitando o perfil de risco expresso no regulamento.

Um fundo funciona exatamente como um condomínio de apartamentos, onde cada condômino é dono de uma cota (um apartamento) e paga a um terceiro para administrar e coordenar as tarefas do prédio (jardineiro, pessoal da limpeza, porteiro, manutenção de elevadores).

No mercado brasileiro, existem milhares de opões de fundos de investimento com diferentes objetivos e perfil de risco. Hoje, no Brasil, cerca de 60% do patrimônio dos fundos financiam de alguma forma o governo e sua participação no Produto Interno Bruto (PIB) é maior do que em muitos países desenvolvidos, como Itália, Alemanha, Espanha e Reino Unido.

Entre tantas opções, como escolher seu fundo? No caso dos grandes investidores, uma das opções são os fundos fechados exclusivos ou restritos. O objetivo é criar um produto que atenda às necessidades específicas do investidor (exclusivo), ou de um grupo comum de pessoas; por exemplo, familiares ou funcionários de uma mesma empresa (restrito).

Devido aos custos de montagem e manutenção desses fundos, recomenda-se que tenham patrimônio de pelo menos R$ 10 milhões. Quanto maior o patrimônio, menor o impacto dos custos, uma vez que muitos custos são fixos e se diluem com o volume. Já as taxas de administração variam de acordo com o gestor da carteira.

Essa modalidade permite uma gestão personalizada dos recursos, ao definir sua política de investimento, objetivo de retorno e grau de risco. Uma grande vantagem é a blindagem do patrimônio. O fundo passa a blindar o grupo de investidores no mercado, sem que haja a necessidade de abertura de diversos cadastros, sendo apenas necessário a abertura das informações ao administrador, responsável pelos controles de lavagem de dinheiro e por conhecer seu cliente.

Além disso, esse tipo de fundo é um excelente veículo para planejamento sucessório, já que é possível trabalhar com sistema de usufruto das cotas e doá-las para próxima geração, ainda em vida, mantendo o usufruto pelas mesmas com a atual titular. Isso evita processos de inventário, que podem levar anos.

Soma-se a isso a não incidência de come-cotas, aplicável a fundos abertos, a compensação de perdas e ganhos nas operações, uma vez que os cotistas pagam o Imposto de Renda no nível da cota, gerada a partir da soma de todas as posições do fundo (ganhadoras e perdedoras) e a não incidência de IR no momento da venda de ativos.

Essas vantagens tributárias permitem que os recursos sejam investidos e rentabilizados ao longo do tempo. O imposto será devido nas amortizações e ao final do produto, de acordo com a oscilação da cota do fundo.

Quando a opção do investidor for constituir um fundo fechado, é preciso se ter em mente que esse tipo de produto não admite o resgate de cotas por decisão individual do cotista. A saída somente é permitida no término do prazo de duração (liquidação) ou nos momentos de amortização, em que todos os cotistas devem sair, respeitando as suas proporcionalidades.

Esse fundo se torna o instrumento mais adequado para quem pensa no longo prazo e não precisa de liquidez imediata e constante. No caso de fundos fechados exclusivos é permitida apenas uma amortização por ano. Já nos fundos fechados restritos pode-se ter até duas amortizações. As entradas de capital também possuem restrições, devendo-se respeitar um intervalo de quatro meses entre cada uma.

Seja qual for seu perfil, o importante é buscar uma instituição que o ajude a decidir e avaliar que tipo de produto se aproxima da sua expectativa de rentabilidade e risco e, principalmente, dos seus objetivos e necessidades.

 

Fonte: Valor Econômico